23/10/2012

Warm Up Moita Metal Fest @ In Live Caffe

Sendo a próxima edição do Moita Metal Fest a 10ª, com o apoio dos Switchtense e do In Live Caffe, foi realizado no passado dia 5 de Outubro o Warm Up Metal Fest 2013
Para tal o cartaz contou com um rol de bandas de vários pontos do território nacional. 





A abrir as hostilidades estiveram os AERNUS, uma banda da Moita fundada em 2009, que nos deu a conhecer o seu Progressive Death Metal com “Chosen Path”, uma das faixas do seu primeiro trabalho “Spiritual Quest”. Para completarem a sua set list deram-nos também a conhecer “Seven Skulls Uneastiled”, “Voracious Liars” e Confident of Torture”. Esta banda conta com a presença de André Morgado na voz e guitarra, AmilcarAlmeida na guitarra e voz, Jef Gomes na bateria e Alexandre Almeida no Baixo.
AERNUS
É com “Call to Battle” que sobem ao palco os ANCIENT HORDE, banda fundada em 2010 pelo baixista Daemonicus Draconis, ex-Opus Draconis e ex-Ciborium, que com as suas influências de Venom, Sodom, Obituary, Slayer, entre outras bandas bem conhecidas, nos deram o seu próprio tributo ao chamado Old School Metal. “Old Ways Cult”, “Heavy Fuckers of Trashmageddon” e “Nobre Glória” seguiram-se com a ponderosa voz de Sérgio Ashes, Ed Sedinhas e D. Jones nas guitarras e Fábio Cruz na bateria. Para finalizarem a sua actuação os ANCIENT HORDE apresentaram-nos “Shining Swords of Blood”, “Under The Banners of Death” e “Blasting Metal”.
ANCIENT HORDE
E da Madeira surgem-nos os KARNAK SETI com o tema “Long Gone Shadow”. Com 10 anos de existência, e com dois álbuns editados “Scars Of Your Decay” e“In Harmonic Entrophy”, os KARNAK SETI apresentaram-se em palco com uma postura descontraída, mas muito profissional, com Luís Erre na voz, António Jesus e Renato Ramos nas guitarras, Cláudio Aguilar no baixo e Luís Barreto na bateria. Seguiram-se os temas “Scars Of My Decay”, “Luctor Et Emergo” e “Only Red Mist Descend”. É então que é convidado a subir ao palco o guitarrista Neto dos Switchtense para tocarem a faixa “Gods New Scheme”. E é com “Vicious” que terminam a sua excelente actuação.
KARNAK SETI
Para finalizar as actuações chegam-nos do Porto os HOLOCAUSTO CANIBAL, que nos presentearam com a seguinte set list:
- Fascinio Paradoxal + Cortex
- Objectofilia Platónica
- Afogada Em Vómito
- Amizade Fálica
- Supremacia Carnívora
- Lactofilia Destalhada
- Prepúcio Obliterado
- Mutilada Em 10 Segundos
- Violada Pela Motoserra
- Perfurada Por Anzóis
- Fetofilia – I.S.F.
- Orifícios
- Trucidada Na Paragem
- Empalamento
- Acrotomofilia Zoófila
- Gorgasmos
- Gore & Gajas
- Porno Hardcore
- Putrescência Necromântica
- Canzana Blenorrágica
- Cadaverica Ejaculação Espasmódica
- Vulva Rasgada
- Sangue » Infecção M.
Esta banda de Death Gore Grind foi formada em 1997 pelo baixista Z. Pedro, conta já com uma demo “Opus I”, e três álbuns editados “Gonorreia Visceral”, “Sublime Massacre” e “Opus Genitalia”, uma compilação “Visceral Massacre Memoribilia”, vários tributos e estão neste momento a preparar o seu 4.º álbum.
Sendo uma banda que já actuou em vários festivais europeus, como é o caso de Fuck The Commerce VII e XI, na Alemanha, Obscene Extreme 2005, na República Checa, Deathfeast Open Air 2008, também na Alemanha, Caos Emergente 2003, 2004, 2007, 2009, em Portugal, entre outros, mostram-nos bem o seu profissionalismo e a sua forte presença em palco.
HOLOCAUSTO CANIBAL
Podem também consultar os vídeos deste evento nos seguintes links, apesar de o som não estar nas melhores condições:
- Holocausto Canibal: http://www.youtube.com/watch?v=omDR13J0VMs&feature=plcp
- Karnak Seti + Neto dos Switchtense: http://www.youtube.com/watch?v=jKsampf-EW0&feature=plcp
- Karnak Seti: http://www.youtube.com/watch?v=DZOXpsIISEg&feature=plcp
- Ancient Horde: http://www.youtube.com/watch?v=vkGqGMVSH_M&feature=plcp
- Aernus: http://www.youtube.com/watch?v=DikMWL8jJMk&feature=plcp

Para mais informações podem consultar os seguintes links:
MOITA METAL FEST :
https://www.facebook.com/MoitaMetalFest

HOLOCAUSTO CANIBAL:
https://www.facebook.com/hcgore?ref=ts
http://www.holocaustocanibal.com

KARNAK SETI:
https://www.facebook.com/KarnakSetiOfficial
http://www.karnakseti.net

ANCIENT HORDE:
https://www.facebook.com/ancient.horde?ref=ts

AERNUS:
https://www.facebook.com/pages/AERNUS/101920616526219?ref=ts
http://hellhothell.pt/pt/loja?task=loja&id=42



Reportagem: Ana Margarida Santos
Fotos: Ana Margarida Santos e Nuno Silva (Guns)
Vídeos: Ana Margarida Santos

22/10/2012

SFTD Radio Fan of The Week

Anathema+Astra @ Paradise Garage, 20/10/2012

O Paradise Garage esteve ao rubro durante as duas horas do concerto dos Anathema, no passado sábado dia 20 de Outubro. Foi uma noite intensa, repleta de energia, de sentimentos e vibrações constantes transmitidas pela banda e correspondidas pelo público.

A porta abriu cedo mas o número de pessoas que afluíram ao concerto foi de tal forma extenso que apesar de estarem sempre a entrar, a fila no exterior ia-se mantendo. À porta do tour bus, parqueado em frente ao espaço, estava Daniel Cavanagh, guitarrista da banda, que ía dando música com um pequeno leitor que tinha na mão, aos que aguardavam para entrar no espaço. Quando a banda de abertura começou a tocar já o espaço estava cheio mas ainda havia umas quantas dezenas de pessoas na rua por entrar.

Astra
Astra foi a banda que deu início à noite que se aguardava promissora. Vieram da Califórnia e trouxeram um som de rock progressivo e maioritariamente instrumental. Tocaram durante cerca de 40 minutos e apresentaram quatro temas. Não deixaram o público indiferente, apesar de serem aparentemente desconhecidos para a grande maioria.




Foi às 22h que a Intro para Anathema soou. Uma grande ovação encheu o espaço quando os elementos da banda entraram em palco. Untouchtable Part 1, do seu último álbum e mote desta tour, Weather System, foi o tema escolhido para o início do concerto. As palmas iam ecoando ao som da música e as vozes uniam-se com a banda numa sinfonia perfeita continuando assim pela Part 2 do mesmo tema. Seguiram-se temas do seu álbum anterior, We’re Here Because We’re Here intercalados com os de Judgment, sempre acompanhados pelo público.

Daniel Cardoso
Após Wings of Gods, Daniel Cavanagh, menciona um gig acústico que fez em Braga há quatro anos atrás e que alguém foi ter com ele dizendo que havia um músico que gostava de tocar com eles e ele disse que sim. Apresentou então esse músico, Daniel Cardoso, o membro português que está a acompanhar a banda em tour. Acrescentou ainda que apesar de ele próprio parecer mais novo do que é na realidade, já anda no mundo da música há uns bons anos e que Daniel é sem dúvida o melhor músico que já conheceu. Após um forte aplauso, seguiram com Simple Mistake.

John Douglas
Tocaram Lightning Song e foi o momento escolhido para Daniel Cavanagh dirigir-se de novo ao público, desta vez para dizer que não sabe se acredita no Destino, nas coisas que estão previstas de acontecer, mas que quando tinha 11 anos sentou-se pela primeira vez ao lado de John Douglas por causa de ficarem sentados por ordem alfabética na sala de aula. Será que era porque era mesmo assim que teria de acontecer? A verdade é que 30 anos depois continuam juntos e a compor temas como o que se seguiu, The Storm Before The Calm.

O concerto estava a aproximar-se do fim e a intensidade que se ia fazendo sentir do palco e correspondido pelo público era gigante. Durante todo o concerto as centenas de vozes iam-se unindo com a música, em perfeita harmonia, apesar do som bem alto mas sempre perfeitamente nítido e equilibrado.

Vincent Cavanagh
Em Natural Disaster foi a vez de Vincent Cavanagh pedir que a iluminação fosse feita apenas pelos isqueiros, telemóveis ou até mesmo iPads, conforme ele conseguiu identificar do palco, a iluminar o espaço. A voz de Lee Douglas unida com a assistência, arrepiou.  Terminaram com Flying, do mesmo álbum da música anterior e o público mais uma vez não ficou indiferente. No refrão as vozes uniram-se de novo e não houve dúvidas que a noite estava a ser intensa, tanto para a banda como para o público.

Saíram do palco mas o regresso foi quase imediato. Para o Encore optaram por tocar One Last Goodbye, tema este que só tocam em momentos especiais, e terminaram com Fragile Dreams.

Após as despedidas e a saída final da banda, o público não quis ir embora e continuou a chamar pelos Anathema que apesar dos pedidos do público já não regressaram. Foi um concerto sem dúvida inesquecível para os fãs presentes.

Por: Miriam Mateus
Veja todas as fotos na página do facebook

Fica aqui uma pequena amostra da comunhão entre a banda e o público, na fantástica Flying :


Esta é a setlist daquela noite :

17/10/2012

Anathema em Portugal : Entrevista a Daniel Cardoso

Os Anathema vão regressar a Portugal para a apresentação do seu último álbum Weather Systems nos próximos dias 19 e 20 de Outubro no Hard Club no Porto e no Paradise Garage em Lisboa. Aproveitámos então este momento para fazer uma entrevista de fundo ao teclista Daniel Cardoso que integra a formação dos Anathema nesta digressão. 


Songs For The Deaf Radio: Como tudo começou e o que te fez ingressar no mundo da música?
Daniel Cardoso
Daniel Cardoso: Começou com um miúdo teimoso que percebia a música de forma diferente. Curiosamente nunca teve como objectivo ingressar no mundo da música (usando as tuas palavras), principalmente porque isso foi durante muito tempo uma espécie de sonho inalcançável, ou pelo menos era essa a opinião das pessoas que foram influentes para mim durante o meu crescimento como pessoa e músico. Mas lá está, eu era um miúdo teimoso. E ainda sou. Dizerem-me que algo ia ser difícil era o melhor catalisador para eu efectivamente tentar e correr o risco de errar antes de desistir. Acho que pelo menos segui o caminho daquilo que sei ter sido sempre a minha vocação.

SFTD Radio: Para além de músico és também compositor e produtor. Destas actividades quais te dão mais prazer?
D.C.: Está tudo extremamente diluído em mim hoje em dia. Não só pela necessidade de subsistência mas também por um misto de gosto e hábito. Se fizer uma boa auto-análise do assunto, acho que pertenço aos palcos, sou um exibicionista e tenho aquele orgulho narcisista de me imaginar a ser visto pelos olhos do público. Mas se passo muito tempo na estrada sinto falta do trabalho semi-criativo e localizado de uma boa produção em estúdio, ou do trabalho totalmente criativo e intimista de estar em casa ao piano a compor um tema ou um álbum. Não vale a pena descrever as diferenças, acho que qualquer pessoa que quiser ler esta entrevista já as sabe à partida. Mas no meu caso complementam-se totalmente. Nunca poderia ser simplesmente um performer nem simplesmente um compositor. Tenho a vantagem e a maldição de poder ser efectivamente as três coisas.

SFTD Radio: Como designarias o género das tuas composições musicais?
D.C.: Os anos e a necessidade acabaram por me tornar o mais versátil possível. Actualmente consigo dar mais de mim numa produção que namore ali um bocadinho com o pop/ rock do que com o metal. Por consequência do meu excesso de trabalho dos últimos anos opto por não ouvir metal em casa. Produzi ou envolvi-me com tantas bandas de metal que acho que já nada me surpreende no género. Se quiser ouvir música para fins recreativos, gosto de coisas calmas. No fundo sou um gajo duro que precisa de encontrar alguma paz na música que ouve.

SFTD Radio: Para que tipo de bandas compões, e que relações estabeleces com as bandas?
D.C.: Que tenha qualidade, bom gosto, budget e estofo para suportar as minhas manias e a forma agressiva como às vezes defendo as minhas ideias. Não é para todos, felizmente.

SFTD Radio: Quando e como surgiu a ideia de abrir a Ultrasoundstudios?
D.C.: Quando começou a haver clientes que o justificassem. O meu investimento inicial foi feito unicamente para garantir as condições necessárias a que eu fizesse a minha música com qualidade suficiente para não depender de ninguém. No caminho acabei por me envolver na música dos outros e começou a dar-se o fenómeno bola de neve. Comecei a ter muitas propostas de trabalho para produções e a certa altura justificou-se um estúdio, até porque era um sonho de adolescente. Mas é um erro investir num estúdio hoje em dia. A indústria está retraída. Actualmente os USS estão franchisados a dois corajosos gerentes. Isso quer dizer que eu sou o dono da marca UltraSoundStudios mas os estúdios têm gestão independente desde que sigam as directrizes da marca. É uma espécie de McDonalds a uma escala microscópica e sem cheeseburguers.

SFTD Radio: A Ultrasoundstudios tem tido o feedback pretendido?
D.C.: Teve mais que o esperado durante alguns anos. Agora serve para os seus gerentes pagarem as contas e sobreviverem. Ninguém está a enriquecer ou a fazer dinheiro com isso.

SFTD Radio: Como consegues conciliar tudo, tens alguma estratégia?
D.C.: Nem por isso, vou conciliando. Sou muito "seize the day". Não costumo falhar em deadlines mas também não sou o melhor em termos de organização de horários e de calendário. Tenho a vantagem de me poder compensar com um time-off sempre que me apetecer e acho que é assim que funciono, por auto-compensação. Se o trabalho me correu bem num dia, posso tirar o dia seguinte para ver filmes, séries e ir a um bom restaurante jantar com os Slamo.

SFTD Radio: Tens mais algum projecto na manga?
D.C.: Tenho. O meu cérebro não pára e isso tem tanto de bom como de mau. Mas tenho alguns projectos megalómanos que duvido que alguma vez consiga convencer alguém a financiá-los. Sou o tipo de pessoa que se ganhar o euro milhões ainda vai acabar por fazer mais e trabalhar mais do que antes. Mas parar é morrer, sempre se disse por aí.

SFTD Radio: Parece que em Portugal és menos reconhecido que no estrangeiro, porque achas que isso acontece?
D.C.: O estrangeiro é um bocadinho maior que Portugal, portanto é normal que assim seja. Mas acho que individualmente não há muitos países em que tenha sido mais reconhecido do que em Portugal. Criei a minha carreira sempre de forma ligeiramente marginal portanto é normal que não ande nas bocas da imprensa nacional, mas dentro do meio musical nacional muita gente conhece o meu nome e suponho que tenham algum respeito por ele, coisa que agradeço. O que nunca tive em Portugal foi ter artistas locais de certo calibre a investirem em mim e a confiarem no meu trabalho como artistas de certo calibre de outros países já o fizeram.

SFTD Radio: O que achas que é necessário para mudar essa situação?
D.C.: Nada de especial. Se calhar não tem que mudar. Nunca me esforcei por procurar atenção no meu país. Sinceramente nunca me esforcei para procurar atenção em lado nenhum. As coisas são como são. Eu limito-me a fazer o meu trabalho o melhor possível e agarrar as oportunidades que me vão aparecendo. Nunca forcei o meu trabalho a ninguém nem nunca impingi o meu trabalho a ninguém. Eu simplesmente sigo o meu caminho e vou-me deixando assediar por pessoas que precisam da minha ajuda para seguir o caminho delas, musicalmente falando.

SFTD Radio: Sentes que é mais favorável teres o reconhecimento do público de forma a poderes ser mais valorizado pelo meio musical?
D.C.: Sim, acho importante existir esse reconhecimento, claro. Também sou um artista e um artista para ser artista precisa de algum público, senão é só um louco.

SFTD Radio: Em Novembro de 2010 os Anathema tocaram no Hard Club no Porto e escolheram os Slamo como banda de abertura, o que influiu nessa escolha?
D.C.: Eu na altura já era amigo da banda. Os Anathema perguntaram-me por uma banda local para fazer as primeiras partes em Portugal e Espanha, e os Slamo estavam à procura de concertos. Limitei-me a mostrar Slamo aos membros da banda encarregues de decidir qual seria a banda de abertura para esses concertos. Toda a gente gostou de Slamo e os Slamo gostaram ainda mais de fazer essas datas de abertura.

SFTD Radio: Sei que tocas vários instrumentos, e que tens tocado essencialmente teclas com os Anathema, mas tens alguma preferência?
D.C.: Em palco prefiro tocar bateria dez milhões de vezes. Tocar teclas não tem piada. Não me consigo exprimir fisicamente, não consigo dizer para mim mesmo "hoje vou partir isto tudo", e isso é importante para mim como performer. Sei que o meu papel em Anathema é importante e necessário. Mas sinceramente se comparar ser teclista em palco com ser baterista, odeio ser teclista. É mesmo aborrecido.

SFTD Radio: Já trabalhaste ou trabalhas com várias bandas, entre elas os Ramp, Heavenwood, SiriuS, Slamo, etc, que projectos tens actualmente?
D.C.: Trabalhei recentemente com Ramp em estúdio, fiz a mistura do próximo trabalho da banda. SiriuS acabou em 2002 ou 2003 acho eu. Heavenwood são uma boa banda que decidiu desligar-se de mim. Slamo são provavelmente os meus melhores amigos no meio musical. Acho que estamos amaldiçoados a não conseguir fazer música porque quando nos juntamos só queremos bons jantares, bons vinhos e vida boémia. O Tobel, vocalista de Slamo, quando ler isto vai já telefonar-me a mandar vir comigo e a dizer que temos é que ensaiar e fazer música. O que faz sentido tendo em conta que ele é efectivamente das pessoas mais talentosas que conheço. A maior dificuldade está em acertarmos as agulhas e a disponibilidade de ambos. No dia em que o universo se alinhar dessa forma, somos capazes de fazer um par de álbuns históricos.

Anathema no Vagos Open Air 2011
SFTD Radio: No Vagos Open Air 2011 tocaste pela primeira vez em Portugal com os Anathema, qual foi a sensação?
D.C.: Senti vergonha. Toquei com Anathema em países daqueles aos quais gostamos de chamar de terceiro-mundistas e nunca houve problemas técnicos ao nível dos que tivemos em Vagos. Toda a gente faz questão em todo o lado de proporcionar as melhores condições possíveis à banda. Depois chegamos ao meu país, num festival que comporta uma meia dúzia de milhar de pessoas e temos um gerador a falhar 3 ou 4 vezes durante uma actuação.

SFTD Radio: Como contornaram esses problemas técnicos?
D.C.: A banda teve muita paciência e boa postura, são boas pessoas e pensaram no público e nos fãs. Eu sinceramente senti vergonha. Sou o elemento mais novo na banda e não me cabe a mim ter algum tipo de postura decisiva. Mas se estivesse numa posição de liderança na banda provavelmente tinha feito alguma asneira tipo partir uma guitarra ou duas, na melhor das hipóteses. No fundo sei que a organização não agiu de má fé, mas custa-me um bocado que isto tivesse que acontecer no meu país. Parecemos uns totós que não sabem que tipo de amperagem ou de potência precisam para um gerador de um festival, ainda por cima um festival repetente.

SFTD Radio: Sentiste receptividade por parte do público português ou achas que essa receptividade tem sido mais intensa noutros países?
D.C.: Senti que a banda é bem recebida em Portugal, mas nunca ao nível de outros países. Os sul-americanos e os italianos são imbatíveis. Os iranianos também o são, e ainda estão sujeitos à prova de esforço extra de não poderem ver a banda no seu próprio país por causa da castração artística do governo local. Mas isso não os demove de terem que se deslocar aos mais variados países para nos verem. Concerto sim concerto não, há uma comitiva extremamente entusiasta vinda do Irão.

SFTD Radio: Até hoje qual foi o teu concerto favorito com os Anathema?
D.C.: Não sei bem, mas aquele que mais gostei foi na Tunísia, porque o John Douglas estava de férias e estava eu na bateria, hehe.

SFTD Radio: Desde Setembro estás em tour com os Anathema, como tem corrido?
Daniel Cardoso (foto : Caroline Traitler)
D.C.: A tour está a correr bastante bem apesar de alguns percalços. Abrimos com um concerto na Bulgária para a gravação do DVD oficial ao vivo. Foi um projecto megalómano, com a direcção artística do realizador dinamarquês Lasse Hoile. Foi num anfiteatro romano com uma orquestra de 36 elementos. Entretanto ao terceiro concerto perdemos o nosso técnico de som (curiosamente um português, embora residente em UK) por motivos familiares. Passado uma semana perdemos o nosso tour manager devido a problemas na empresa dele que o levaram a ter que abandonar a tour para garantir a subsistência da empresa. Mas foram feitas as devidas substituições e continuou tudo a rolar. Os shows têm sido muito bons, quase sempre esgotados e com um público incrivelmente dedicado

SFTD Radio: Quais são os teus objectivos para o futuro?
D.C.: Ganhar mais dinheiro e trabalhar menos. Não só porque estou a ficar velho mas também porque gostava de trabalhar mais por gosto e menos por necessidade de pagar as contas. Idealmente deveria ter só 2 ou 3 clientes muito bons e muito ricos por ano. Produzia 2 ou 3 best sellers, era bem pago e toda a gente ficava contente. Infelizmente a conjuntura económica do país e a realidade da indústria musical dão aos meus objectivos um contorno consideravelmente utópico. Mas que se lixe, não deixa de ser o ideal e vou trabalhar para isso.

SFTD Radio: Que conselho darias a alguém que tem vontade para entrar no mundo da música?
D.C.: Entrar conscientemente no mundo da música com sonhos de ter uma carreira artística hoje em dia só não é um erro se for feito por alguém com um talento muito acima da média ou com um trabalho extremamente inovador (ambos num plano comparativo à escala mundial), se for alguém com capacidade financeira e vontade de perder dinheiro ou ainda se for alguém com muito boas cunhas, embora isso raramente resulte a longo prazo se não houver talento. A música como profissão é um mau investimento. Não vale a pena espalharem emails com as tabelas sindicalizadas de cachets de músicos porque isso não é realista nos tempos em que vivemos. Também não vale a pena espalharem posts no facebook a dizer "se és músico não toques à borla" porque isso ainda é menos realista. Se queres crescer num meio extremamente competitivo e saturado como este, toca à borla. Toca à borla 3, 4 ou 20 vezes e mostra que és o melhor. Ainda há espaço, oportunidades e dinheiro para os melhores. Eu toquei muitas vezes à borla e agora anos mais tarde vou chegar a Portugal com uns milhares de euros no bolso por estar dois meses em tour com uma banda estrangeira de quem era fã quando tinha 15 anos e tocava à borla. Esse tocar à borla chama-se promoção. Mas só resulta se tiveres realmente um bom trabalho e qualidade para promover. Caso contrário estás no ramo errado, e podes continuar a estar, nada contra. Não podes é exigir que te paguem. Lamento.

Entrevista por: Miriam Mateus

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Fotos de Anathema no Vagos Open Air | Caroline Traitler Photography
Post relacionado : Anathema anunciam novo trabalho

Os concertos, organizados pela Prime Artists, terão lugar no dia 19 de Outubro no Hard Club no Porto, e dia 20 no Paradise Garage em Lisboa, e contarão na primeira parte com os Astra, banda norte-americana de prog rock. Ainda há bilhetes (não muitos) à venda na Ticketline para ambas as datas.



05/10/2012

Paradise Lost + Soen @ Lisboa 3-10-2012

O Paradise Garage acolheu umas largas centenas de fãs, na passada quarta-feira, para passar uma noite de intensidade ao som de Paradise Lost. Apesar das portas terem aberto cedo, a afluência foi muita e quando a música começou havia ainda quem esperasse lá fora para entrar.

O espaço ainda estava a compor-se quando a primeira banda vinda da Suécia subiu ao palco. Os Soen executaram um som muito envolvente, e apesar de não terem sido muito faladores com o público, a música comunicou por si só.
Um som inédito e profundo foi atraindo os presentes que foram aglomerando-se na frente do palco. O vocalista, Joel Ekelöf, mencionou o nome álbum que saiu há seis meses e foram muitos os presentes que reagiram positivamente ao mesmo. Foi sem dúvida uma banda bem escolhida para iniciar a noite intensa dos Paradise Lost .

A sala estava apinhada quando os Paradise Lost entraram em palco e rapidamente o som da sua intro foi acompanhada por palmas. Iniciaram o concerto propriamente dito com o tema Widow, do seu álbum Icon de 1993 e desde cedo o público reagiu e interagiu com a banda.

Após a segunda música, Nick Holmes, o vocalista, mencionou que era um prazer regressar a Lisboa e que já há muito devia um concerto em Lisboa. Após a execução de um dos temas do seu último álbum, regressaram um atrás no tempo com o tema Erased, seguido de Forever Failure de 95. Todo o alinhamento foi bem conjugado! Foram alternando o novo álbum com outros de álbuns anteriores e que marcaram a história da sua existência, percorrendo assim temas cujos presentes bem conheciam e viviam com agrado.

Infelizmente só a partir da sexta música é que o som da voz tornou-se mais perceptível e audível. Uma troca de microfone e alguns ajustes do som ajudaram nesse sentido, apesar de que ainda foram notando-se algumas dificuldades sonoras durante todo o concerto.
Após Praise Lamented Shade, Nick questionou a assistência sobre se tinham algum pedido especial a fazer. Mas as escolhas foram tão variadas, e numa discografia tão extensa foi difícil que todos se alinhassem numa única direcção. Assim, continuou então com o tema previsto no alinhamento, o Pity of Sadness. Entretanto, o espaço encheu-se com as vozes do público que acompanhava a banda em As I Die, tema do seu terceiro álbum de estúdio.

Terminaram com The Enemy, mas ninguém mexeu-se do seu lugar, esperando que a banda regressasse para o encore, o que ocorreu alguns minutos depois.

Regressaram então ao palco para mais quatro músicas e apesar de todas elas serem do agrado dos presentes, foi no terceiro tema, Faith Devides Us - Death Unites Us, que o público mais vibrou e cantou com a banda. No refrão o espaço encheu-se de vozes. Terminaram com o tema Say Just Words. 

O concerto de Paradise Lost durou apenas 1h20m! Foi uma sensação de insuficiente, do saber a pouco, que acabou por ficar na mente de todos os fãs. Provavelmente não terá sido o concerto mais mítico realizado em Portugal, mas é sempre muito bom rever uma das bandas mais marcantes no cenário do metal mundial. Os Paradise Lost tem quase 25 anos de carreira, milhares de fãs e seguidores, e ainda hoje servem de inspiração para tantas outras bandas, portanto é gratificante vê-los pisar os nossos palcos.

Set List:
Intro
Widow
Honesty In Death
Erased
Forever Failure
Soul Courageous
In This We Dwell
Praise Lamented Shade
Pity The Sadness
As I Die
Symbol Of Life
Tragic Idol
The Enemy
Encore:
One Second
Fear Of Impeding Hell
Faith Divides Us – Death Unites Us
Say Just Words

Reportagem : Miriam Mateus
Fotos : Nuno Santos (veja aqui todas as fotos na página do facebook)

Aqui ficam vídeos de alguns dos momentos altos : 
Paradise Lost - Fear of Impending Hell @ Lisboa


Paradise Lost - In This We Dwell @ Lisboa


Paradise Lost - Say Just Words




Veja também: