09/08/2011

Reportagem do 2º dia do Vagos Open Air 2011

Foi ao som da chuva que acordámos e demos início ao segundo dia de festival. Avizinhava-se um dia sombrio, mas foi com espírito positivo que saímos para a rua e depois dum belo pequeno-almoço na “Broa do João”, uma bela pastelaria em Calvão, já recheada igualmente de festivaleiros, que saímos de carro para dar uma volta pelas localidades. A chuva, no entanto, era contínua e acabámos por metermo-nos em direcção a Aveiro para um passeio, almoço e algum descanso para recuperar forças para a tarde e noite que ainda estavam para vir.


Regressados ao festival aproveitámos o tempo, antes do início dos concertos, para visitarmos as tendas de merchandising com mais calma e menos movimento, felizmente o tempo começava a melhorar e o sol já brilhava por entre as nuvens que se iam dissipando. Antes dos concertos arranjamos sempre tempo para o convívio e travar novos conhecimentos com pessoas que partilham os mesmos gostos. Uma coisa que sempre encontrei em festivais ou concertos de Metal é o ambiente familiar que existe no local, assim como a ordem e a organização. Ao contrário do que possa parecer para as pessoas que desconhecem e que julgando pelo aspecto geral das pessoas, que maioritariamente usam o preto como cor principal e acessórios de correntes, piercings ou tatuagens, o ambiente é habitualmente tranquilo e muito civilizado.
We Are The Damned
O sol resolve aparecer de vez e com ele o início dos concertos. Sobem ao palco, a banda portuguesa, We are the Damned, banda que não deixou ninguém indiferente com a sua presença. Mais uma pequena falha no sistema de som fez com que o concerto começasse sem se ouvir a voz do vocalista, que apesar de já tentar emitir som do palco, este não chegava ao público. Incidente que acabou por não causar mossa na sua prestação global. Nos intervalos das músicas, Ricardo Correia, a voz dos We are the Damned, gritava palavras de revolta e indignação na forma como as bandas portuguesas são desconsideradas no nosso país e que “em Portugal, há muito boas ou melhores bandas que algumas estrangeiras, mas que acabam por ser desvalorizadas”. Um momento alto foi quando tocaram a música “Devorador dos Mortos” e começaram a ver-se os primeiros movimentos de mosh e crowd surfing do dia.
Malevolence
Após o intervalo entre bandas, subiram ao palco Malevolence, banda portuguesa de Death Metal, que apesar duma paragem de 11 anos, regressou aos palcos portugueses em força, com esta primeira aparição em Vagos. A banda tem como baixista Aires Pereira, também membro da banda Moonspell. Com Malevolence, o público já começava a adensar-se perto do palco e a energia era contagiante. No entanto, fiquei com a sensação que a entrada em palco foi um pouco fraca. Cheguei a pensar que ainda estavam a fazer o check sound, mas depois apercebi-me que já eram realmente os membros das bandas que estavam em palco. Mal menor que foi rapidamente ultrapassado com a intensidade do som e a participação do público que esteve em alta com moshes e crowd surfing na zona central junto ao palco. Aproveitaram a estreia em Vagos para apresentação de material inédito a ser gravado para o seu terceiro álbum que está previsto ser lançado em 2012, assim como temas já conhecidos dos seus dois álbuns anteriores. “E para que a chama não se apague em Portugal”, palavras de Carlos Cariano, tocaram “Oceans of Fire” um dos momentos altos e mais participativos por parte do público.
Nova pausa e momento para recarregar baterias e já Kalmah, banda de Death Metal melódico, entrava em palco para a destruição total. Concerto duma intensidade fortíssima, lançou o público ao rubro com a música introdutória “Hook the monster”. Os finlandeses adoraram o público português e os portugueses pareceram também adorar Kalmah, conforme se podia notar pela sua participação. Na música “For the Revolution”, Pekka Kokko, o vocalista e guitarrista da banda pediu a participação do público, conforme ele dissesse “for the revolution” o público diria “we die, we die”. Não houve dúvidas! O público esteve lá e a frase “we die” ouvia-se ao longe. Terminaram em grande com “Hades”.
Ihsahn
Após mais um intervalo, entraram em palco Ihsahn, nome pelo qual se identifica, neste projecto a solo, o compositor norueguês Vegard Tveitan. Vegard é mais conhecido pela sua banda anterior Emperor, tanto que tocaram “The Tongue of Fire” e “Thus Spake the Nightspirit”, que são ambas dessa época. Ihsahn foi igualmente forte e intenso e conseguiu transmitir ao público essa sua intensidade e energia em palco. Terminou a sua actuação com “On the Shore”.
Devin Townsend

Foi a vez de mais um intervalo,
mas desta vez diferente de todos os outros. Nos ecrãs gigantes não passava a publicidade habitual nem a música ambiente era Metal. Por momentos olhávamos uns para os outros e comentávamos que o DJ estava com algum problema. A música era de discoteca e até passou a famosa “Mambo Nº 5”. Nos ecrãs aparecia imagens conhecidas, pinturas tais como a “Mona Lisa” ou “O Grito” mas cujo rosto era do canadiano Devin e as suas expressões únicas. Foi sem dúvida um chamariz, mesmo para os que não o conheciam. O público foi se acumulando junto ao palco e foi com “Addicted” que Devid Townsend Project iniciou o seu concerto brutalíssimo. Devin foi o vocalista no álbum Sex & Religion com Steve Vai e o fundador, compositor, vocalista e guitarrista da banda Metal, Strapping Young Lad. O concerto cativou e impressionou pela positiva o público que os desconhecia e esteve sempre ao rubro com o concerto alucinante, criativo e intenso de Devin Townsend. Foi quando Devin perguntou “what you deserve?” que introduziu para Ziltoid The Omniscient, boneco de dois dentes que serve de capa para o seu álbum com o mesmo nome. A seguir à música “Pixillate”, Devin perguntou ao público se alguém sabia dançar e começou a fazer uma dança completamente alucinada, pedindo a participação do público. Foi nessa sequência que introduziu para Bad Devil. Na música final “Juular” Devin tinha uma surpresa reservada. Teve um artista convidado, Ihsahn. Depois da saída do palco o público quis mais e não arredou pé, enquanto Devin Townsend não voltou ao palco. Das poucas bandas que fizeram Encore, Devin Townsend Project ainda tocou mais três músicas, terminando com Deep Peace.
Foi chegado o tempo para mais um intervalo e recuperar energias com uma fantástica bifana da cooperativa local, pessoal incasável e que faziam-nas de uma forma fantástica e bem recheadas. O cansaço já se ia acumulando, mas Morbid Angel prometia e as energias iam ser necessárias para captar toda a intensidade desse final de noite.
David Vincent - Baixo possuído
Morbid Angel, a banda de Death Metal da Florida, EUA, deu início ao concerto com a música, “Immortal Rites”, do seu primeiro álbum que já conta com vinte e dois anos, “Altars of Madness”. Primaram o público com a intensidade e a garra em palco. O profissionalismo e a qualidade eram de qualidade superior e o “head banging” era geral e contagiante. As mãos e os dedos de David Vincent, o baixista e vocalista, voavam nas cordas. Nunca tinha visto ninguém tocar baixo daquela forma, fiquei fascinada. Tocaram, de entre as dezassete músicas no total, “Pain Divine”, “I am Morbid” “Dawn of the Angry” e a “Chapel of Ghouls” que ainda beneficiou de um solo extenso de Azagoth.
Na música “God of Emptiness”, a penúltima música antes de terminar o concerto, o público, em ovação geral, estava ao rubro. Nada, nem mesmo o cansaço, impediu o público de terminar em êxtase com a última música de Morbid Angel, “World of shit” (The promised land).
Morbid Angel
Os concertos terminaram, mas o pessoal, mesmo cansado, não quis dar por terminado o festival tão agradável e intenso que tinham vivido, por isso, uma grande multidão, dirigiu-se ainda para a zona das tendas onde a música continuava em grande. De entre várias grandes bandas, pudemos ouvir Sepultura, Meshuggah e Slayer. Muita intensidade, moshes e energia que ainda estava para ser gasta. Eu, depois de levar um banho integral de cerveja, acabei por dar encerrada a noite, mas sempre com muito boa disposição e vontade de voltar novamente para o ano.







Reportagem elaborada e escrita por: Miriam Mateus
Agradecimentos a: António Gaspar pelo apoio e colaboração na elaboração da mesma e a Nuno Santos pela reportagem fotográfica.

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